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QUANDO
Leitura: Francisco Manzieri Neto.
Quando o tempo houver passado nas nossas vidas,
e as rugas marcarem nosso rosto,
quando todas as ilusões forem vividas,
não guardemos de nos dois, mágoa ou desgosto.
Quando o corpo pelo tempo já cansado,
ao contemplarmos no horizonte o sol já posto
possamos no coração haver guardado,
a doçura do olhar em nosso rosto.
Quando a neve marcar nossos cabelos,
e as vozes forem facas, vacilantes,
tenhamos um pelo outro, mais desvelos,
pois haverá passado o tempo, nada será como antes.
Ao olharmos do passado, todas as flores,
que por longo tempo enfeitaram nossos caminhos,
recordemos o quanto eram belas, e seus olores,
não lembremos apenas dos espinhos.
E quando vencidos pelo cansaço,
ao sermos um silêncio para o mundo,
que o solo nos acolha com um suave abraço,
para o descanso de um sono profundo.
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